segunda-feira, novembro 15, 2010

Os meus irmãos...

Não tenho irmãos ou irmãs.

Nunca me interessou saber porquê, a vida tem as suas curvas e a razão das coisas muitas vezes não tem qualquer interesse. Esta questão nunca me suscitou qualquer curiosidade. Sempre gostei muito de ser filho único e não ter que partilhar os afectos e a atenção dos meus pais. E que bom foi ser neto único num dos lados da família do que um de muitos no outro. Há coisas que não se escolhem e são como são, não valendo de nada dar-lhes um mínimo de atenção porque nunca vão mudar.

Os meus irmãos sempre foram os meus amigos!

Quando era puto, tinha-os (ou tinha-o, nunca percebi bem...) na minha cabeça. Brincava horas com ele(s). Sempre me disseram que brincava muito sozinho mas nunca estava só... E das aventuras juntos surgiram conversas infindáveis sobre os mais variados assuntos, dos mais sérios aos que duravam o tempo de quase nada, até outro o substituir sem esforço. Mais velho continuámos as conversas, mais escassas e já em inglês!!! Sim, desconfio que esse meu amigo era anglo-saxónico, nunca percebi bem e o sotaque nunca o denunciou. Mas depois dos meus 10/11 anos falámos quase sempre nessa língua. Why? I don't have a clue, my dear. Hoje cada um seguiu o seu caminho e é raro encontrarmo-nos embora saiba que ele anda por aí...

E depois os amigos de carne e osso, poucos porque nunca fui muito expansivo. Restam-me uma mão cheia deles que passaram, com distinção, o teste do tempo. Mesmo sem o saberem foram e são importantes, cada um à sua maneira e no seu espaço/tempo. Nos "teen", senti falta de alguém que, sendo da minha geração, partilhasse o que fui enfrentando na minha esfera mais próxima. Tinha-me dado muito prazer, em alguns momentos, ter tido um irmão ou irmã mais velho, nem que fosse para me guiar "in the darkest moments". Talvez por isso, à época, me tenha aproximado mais de amigos que também estavam na condição de "filhos de pais divorciados".

Hoje sinto falta de estar com eles mais vezes, vão-se adiando almoços ou jantares para a próxima, porque os afazeres da vida a isso obrigam... sim, estão lá, eu sei disso mas sinto-lhes a falta, nem que seja das conversas de circunstância.
Na falta de cão, desenvencilhei-me como pude e alguns amigos serviram de gato. E não foi por aí que as coisas correram pior, antes pelo contrário. Hoje olho para os meus filhos e não me canso de pensar na sorte que têm por se terem um ao outro. Espero que, quando crescerem, possam  olhar um para o outro como o tesouro mais importante que podem ter. Pelo menos até chegar o tempo de terem filhos...

P.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Em dias de nevoeiro...


Em dias de nevoeiro a sua memória regressa sempre a Londres.


Concretamente ao Verão de 1940 quando ali chegou pela primeira de inúmeras vezes. Naquele tempo servia como segundo marinheiro no Corte Real, um navio mercante de pavilhão português de 90 metros que fazia serviços maioritariamente entre os arquipélagos da Madeira e Açores e Portugal Continental. Nesse quente mês de Junho faziam a viagem Leixões-Liverpool, transportando conservas de sardinha e atum para uma Inglaterra cada vez mais isolada.

Em Junho desse ano Hitler, depois de derrotar categoricamente os franceses em poucas semanas de guerra total, estendera a mão à Inglaterra. Prometia-lhes Paz e o Império a troco do domínio da Europa Continental. Mas em Londres já não governava o fraco e titubeante Chamberlain. Churchill, agarrando-se a pouco mais que uma promessa de “sangue, sofrimento, suor e lágrimas” mostrou os dentes de “pitbull” aos discursos apaziguadores do líder alemão. Não haveria uma Paz de Munique outra vez… Os Nazis tinham ido longe demais para porem de joelhos uma Inglaterra que, estando perto, ficava ainda para lá do Canal da Mancha. O exército inglês, salvo “in extremis” na proeza de Dunquerque, estava de rastos, desorganizado e desarmado. Restava a poderosa Royal Navy e algumas centenas de caças da Royal Air Force para deterem o rolo compressor alemão. Este, confiante após as vitórias da Polónia, Noruega e França precisava atravessar a Mancha… desde que esses obstáculos saíssem da frente.

Voltando ao Corte Real, a algumas milhas do porto inglês deu-se uma avaria séria numa das máquinas. Tendo em conta o clima de guerra aberta e o embargo que se vivia, o Comandante José Narciso Marques Júnior decidiu aportar. Era preferível rumar a Liverpool, descarregar a preciosa carga e reparar os danos nas docas do que ficar a mercê dos temíveis submarinos alemães. É certo que havia acordo entre Portugal e as potências beligerantes para a livre circulação dos seus navios desde que a sua carga e objectivo não beneficiasse qualquer uma das partes. Embora o Corte Real estivesse bem identificado como navio de um país neutral, o seu manifesto de carga e destino colocariam poucas dúvidas aos ávidos comandantes alemães que dirigissem os seus lobos naquelas águas.

Chegados às docas inicia-se o alijar da carga. Do armador e das autoridades do porto chegam notícias pouco animadoras... Por aqueles dias a lista de navios avariados ou danificados pelo esforço de guerra era tremenda, com especial atenção para as unidades da Royal Navy cujo funcionamento era vital para manter os alemães afastados das suas costas e das rotas que, literalmente, alimentavam o esforço inglês para se manter à tona. Mesmo sem precisar de recorrer aos ingleses, eram necessárias peças que, face ao embargo, demorariam meses a estar disponíveis.

Passados alguns dias, o armador decidiu dispensar a quase totalidade da tripulação, mantendo a bordo os homens estritamente necessários para os serviços mínimos a bordo. A ideia passava por fazer regressar o comandante e os tripulantes por mar ou pelo ar para que pudessem ser colocados ao serviço de outro navio enquanto o Corte Real esperava na doca seca por ser reparado.

Mas se essa operação se apresentava demorada, fazer sair a tripulação das ilhas britânicas no auge da Batalha de Inglaterra era, no mínimo, uma tarefa heróica. Havia voos civis mas eram raros, caros e com longas listas de espera. Lisboa era naqueles dias de incerteza e medo um paraíso seguro e, lá chegado, qualquer refugiado podia pensar em deixar o Velho Continente para outras paragens longe do Inferno da guerra. O armador pediu então aos marinheiros dispensados que fossem para Londres onde a Companhia Nacional de Navegação, dona do Corte Real, tinha uma representação. Daí encontrariam uma forma de voltar a Portugal.

Assim, chegou a Londres na pior altura possível!

O nevoeiro, raro, e o fumo, imenso, vindo das docas e do East End pintavam o cenário de uma luz feérica e estranha, quase magica não fosse a sua origem os terríveis bombardeamentos da Luftwaffe. Londres era uma cidade sitiada do ar. Os bombardeamentos, de dia e de noite, não davam descanso. As sirenes tocavam com um ritmo constante, avisando da chegada eminente das máquinas voadoras alemãs que, do seu ventre de aço, cuspiam engenhos explosivos e incendiários. As baixas civis, como em Coventry ou Guernica, uns anos antes, cresciam embora o seu número fosse mitigado pelo esforço de todos em tornar difícil a tarefa dos nazis. Os serviços públicos de controlo de danos funcionaram irrepreensivelmente quando isso parecia impossível. A vida era levada com a maior normalidade possível mas sempre de forma decidida e como se tudo aquilo não passasse apenas de um mero contratempo enfrentado com desdém. Não seria pela quebra do moral inglês que os alemães venceriam esta batalha.

Nesses dias aprendera a respeitar e admirar os ingleses. Sozinhos contra Hitler, sob constante ameaça de invasão, sofrendo o racionamento de bens essenciais, enfrentavam as bombas alemãs com uma fleuma e, por incrível que parecesse, com um enorme sentido de humor. Os discursos de Churchill alimentavam a esperança quando tudo apontava para o fim. As elites davam o exemplo e sofriam com o povo o mesmo tipo de agruras e dificuldades daqueles dias. As bombas tanto caiam no East End como no Palácio de Buckingham ou nas centenárias Houses of Parliament. A Família Real, o parlamento e todos os ministérios e serviços públicos continuaram em Londres como se se vivessem calmos dias de paz

E dos ceús limpos daqueles dias quentes vinham, para além do Sol, raios de esperança. Ténues é certo, talvez fossem insuficientes no final… mas dia após dia dali, daqueles pequenos pontos negros sob o azul vinham grandes notícias… Montados nos seus corcéis voadores, os pilotos da Royal Air Force, contra todas as probabilidades, enfrentando uma Luftwaffe orgulhosa das vitórias recentes e mais poderosa em números, davam luta! Se eles conseguiam bater os alemães então… pouco a pouco percebia-se que a tão possível invasão podia ser detida. Os alemães podiam ser abatidos e empurrados para lá do mar…tal como Napoleão no seu tempo.

Não voltaria a Portugal a não ser alguns anos depois, já depois de terminada a guerra. E muitas aventuras passaria depois de se ter demitido da marinha mercante portuguesa. A lição dada pelos londrinos nesses dias era forte demais para virar a cara e voltar à pacata terra natal. Sentia que tinha que retribuir esse exemplo com o seu pequeno esforço!

Semana após semana, nesse Verão, a Inglaterra continuava de pé! As vagas de invasores cavalgavam os ceús da Velha Albion para a derrotar e voltavam cada vez mais desgastadas e abatidas sem conseguir pôr de joelhos os britânicos. Os U-Boote apertavam o garrote em torno da ilha mas fracassavam em cortar totalmente as linhas vitais para o esforço de guerra britânico. A retórica de Hitler esbarrava na combatividade de Churchill, que teimava em manter elevado o moral e mostrar a todos que “nunca na história dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos”.

Sim, o nevoeiro fazia-o sempre voltar a Londres e àqueles dias em que, no meio do denso fumo escuro que antecipava uma negra esperança, o mundo livre suspendeu a respiração à espera das piores notícias… que nunca chagaram! Passadas algumas semanas, quando as marés e os nevoeiros do Outono tornaram impossível a invasão, Hitler adiou a guerra em Inglaterra. O Mundo respirava novamente de alívio, pelo menos por mais alguns meses. Podiam não ter força para vencer a Alemanha nazi por si sós mas os ingleses estavam ali para o que desse e viesse. E não se renderiam até à vitória final!

P.

PS: faz por estes dias 70 anos que terminou oficialmente a Batalha de Inglaterra. Para que não se esqueça o passado, fica aqui a memória...

sexta-feira, outubro 15, 2010

"...estamos bien los 33"


17 dias depois de terem ficado isolados do mundo, a 700 metros de profundidade, esta foi a 1ª mensagem que mandaram para o mundo: "estamos bien los 33".  33 histórias de esperança, de fé em Deus e no Homem, 33 vidas que, durante 69 dias mantiveram em suspenso o Chile e todo o planeta.

33 mineiros que a 5 de Agosto foram apanhados por um desabamento de terras quando trabalhavam na escavação de minério (cobre e ouro). Não bastava terem um trabalho duríssimo como todos os mineiros em qualquer país, ainda passaram por um cativeiro de mais de 2 meses para poderem ver a luz do sol ou os sorrisos dos seus.

Qualquer pessoa que tem como obrigação profissional descer às profundezas e, rodeados por milhões de toneladas de terra, trabalharem em condições extremas numa profissão por si já exigente, tem o meu obsoluto respeito. Eu não o conseguiria...

Tal como os gauleses de Uderzo e Goscinny temiam, estes homens vivem sob o espectro de "o céu lhes cair em cima da cabeça". Para os 33 homens de San José, Chile, o dia 4 de Agosto, ainda vivido em liberdade e junto dos seus, foi a véspera desse dia!

Para quem é crente, foi um milagre terem sobrevivido quase sem danos físicos ao desabamento como foi um milagre terem dado sinal de vida. Também o facto de terem sobrevivido, organizados e com moral elevado, 17 dias depois até chegar auxílo, curto, da superfície. E após 69 dias fechados no seu "refúgio" voltarem, sem danos aparentes, a ver os seus que os pensavam perdidos e a regressarem do limbo a que estariam condenados.
Não sendo crente penso que tiveram a fortuna de viverem um tempo em que, a cada dia, o génio humano consegue ultrapassar barreiras cada vez mais longínquas (no sentido não literal da palavra). Tiveram a sorte de sobreviver e a sagacidade de, perante a adversidade, se unirem uns aos outros e ter esperança. Isso foi determinante porque de outra forma todos os esforços à superfície teriam sido em vão. Cá fora, unindo esforços de vários cantos do mundo, preparou-se uma operação de resgate usando a tecnologia mais avançada.

Vivemos tempos históricos, para o bem e para o mal. Basta-nos ter Esperança, como aqueles 33 mineiros tiveram quando tudo à sua volta lhes dizia para desistir. Não é uma história de vida, são 33 que nos fazem pensar...

P.

terça-feira, outubro 12, 2010

Viver todos os dias custa....



Alguém que eu admiro muito, do qual sou fã incondicional e que escreve aqui, disse uma vez que "viver todos os dias custa"...

Na altura, há uns anos atrás, a expressão significou pouco para mim. Tinha menos preocupações, mais tempo livre e a vida corria sempre a rolar, mais ou menos depressa, mas sempre de ladeira abaixo quando todos os santos ajudam!

Hoje a cada dia que passa tenho mais a certeza de que essa expressão é a mais pura das verdades. Heróis não são aqueles que fazem um feito extraordinário uma vez na vida! Ídolos não são os que se destacam da multidão por terem um dom! Estrelas não são as que brilham intensamente por uma única vez...

Heróis são os que estoicamente vivem um dia depois de outro, semana após semana e muitas vezes com pouca ou nenhuma esperança de alguma vez se sobressairem da multidão. Enfrentam o destino, muitas vezes azedo, com um certo desdem no rosto, com um sorriso até. Vencem barreiras profissionais todos os dias muitas vezes apenas por brio pessoal, aguentam firme na vida famíliar injustiças e tristezas com um brilho nos olhos para que à sua volta não se apercebam disso, na sua vida social passam por dificuldades e indiferenças sem se deixarem ir abaixo. Alguns caiem mas a maioria aguenta firme!

Esses, todos nós que anonimamente aqui andamos "com a cabeça entre as orelhas" como diz o Sérgio, são os verdadeiros heróis nos dias que correm. E são esses Heróis com letra grande que mais uma vez vão aguentar o barco na tempestade que se aproxima. Mais dificuldades, menos dinheiro ao fim do mês, mais desemprego, menos oportunidades, tudo isso se vai multiplicar no futuro (próximo) mais-que-imperfeito.

Chegou o tempo de cerrar os dentes com força e enfrentar o que aí vem. Depois logo tratamos de encontrar que nos levou até aqui...mas agora segure-se o leme, recolha-se o velame, aprume-se o cordame que o céu escuro em frente mostra o que nos espera...

Os próximos meses e anos vão mostrar a fibra de que somos feitos e, quando virmos que o bater no fundo já está para trás das costas,  se ainda cá estivermos então... então nada nos pode deitar abaixo.

P.

terça-feira, setembro 28, 2010

(I)Mortalidade

Ontem, num absolutamente banal olhar de esguelha, cruzei-me com ela...

Não me enfrentou cara a cara nem me dirigiu qualquer palavra. Passou apenas, como se flutuasse gélida e impávida no éter ao ritmo de um pendulo imparável.

Ontem, quando menos esperava, percebi o que muitos percebem ao fim de uma vida e outros, por a deixarem cedo demais, nunca lá chegam perto.

Entendi, sem perceber porquê, que não vou cá estar para ver os meus filhos chegarem a velhos e chegará o dia em que eles terão de estar preparados para viver sem mim. Não estarei quando a ciência, montada no seu corcel furioso da evolução, tornar banais doenças que hoje matam sem pudor ou levar o Homem por espaços nunca dantes navegados.

Quando a Queda do Muro de Berlin, os atentados às Torres Gémeas ou a eleição do primeiro negro fizerem 100 anos não vou festejar e dizer "eu vivi esses tempos loucos". Mas estive nesses momentos por aqui!

Hoje, num dia de Outono ainda vestido de Verão, dei de caras com a minha mortalidade. Ela, frígida mas intensa, ignorou-me. E eu fiz-lhe o mesmo... Porque até ao últimos dos meus minutos, viverei como se fosse imortal, contam os dias que cá estamos, o que neles sentimos e não deixamos por fazer. A vida vale o que dela fazemos e sentimos em cada momento. Tristes são aqueles que quando partem o fazem a pensar no que deviam ter feito.

Para esses a Morte tem um recado: "Agora já foste...!"

P.

segunda-feira, setembro 27, 2010

No dia em que o Google faz 12 anos...

...faz 10 anos que comecei a trabalhar como comercial na área onde estou actualmente, ou seja, Telecomunicações...

E ao "Googlar" o meu nome...deu zero!!!

No tempo em que és o que de ti está online isso quer dizer muito...

P.

terça-feira, setembro 07, 2010

domingo, agosto 15, 2010

Once more into the breach...

KING HENRY V:
Once more unto the breach, dear friends, once more;
Or close the wall up with our English dead.
In peace there's nothing so becomes a man
As modest stillness and humility:
But when the blast of war blows in our ears,
Then imitate the action of the tiger;
Stiffen the sinews, summon up the blood,
Disguise fair nature with hard-favour'd rage;
Then lend the eye a terrible aspect;
Let pry through the portage of the head
Like the brass cannon; let the brow o'erwhelm it
As fearfully as doth a galled rock
O'erhang and jutty his confounded base,
Swill'd with the wild and wasteful ocean.
Now set the teeth and stretch the nostril wide,
Hold hard the breath and bend up every spirit
To his full height. On, on, you noblest English.
Whose blood is fet from fathers of war-proof!
Fathers that, like so many Alexanders,
Have in these parts from morn till even fought
And sheathed their swords for lack of argument:
Dishonour not your mothers; now attest
That those whom you call'd fathers did beget you.
Be copy now to men of grosser blood,
And teach them how to war. And you, good yeoman,
Whose limbs were made in England, show us here
The mettle of your pasture; let us swear
That you are worth your breeding; which I doubt not;
For there is none of you so mean and base,
That hath not noble lustre in your eyes.
I see you stand like greyhounds in the slips,
Straining upon the start. The game's afoot:
Follow your spirit, and upon this charge
Cry 'God for Harry, England, and Saint George!'

terça-feira, agosto 03, 2010

Losing battle...

Durante uma guerra prolongada um dos fenómenos que mais afecta o moral e a capacidade de combate de uma unidade é a substituição dos veteranos por soldados novatos. Cada vez que um veterano deixava a sua unidade (morte, ferimento ou fim de comissão) perdia-se experiência, conhecimento e, mais importante, uma referência para os restantes companheiros. E os novatos que chegavam, não tendo essa experiência e ligação com o resto da unidade, tinham problemas de integração que levavam à perda de eficácia do grupo como um todo. Precisava-se então tempo (que raramente havia) para que a unidade voltasse a ter o mesmo nível de operacionalidade.

Uma sociedade comporta-se da mesma forma. Sabendo-se que os mais velhos e experientes mais cedo ou mais tarde nos vão deixar, é preciso que o conjunto tenha uma dinâmica e uma capacidade de se auto-regenerar e permitir "um elevado nível de operacionalidade" do todo.

Quando essa dinâmica não existe ou está adormecida temos um problema. Mas se os mais experientes desaparecem a um ritmo mais acelerado ou antes do tempo, esse problema multiplica-se.

Receio que esteja a acontecer isso mesmo connosco, aqui neste cantinho plantado à beira-mar. Nas últimas semanas deixaram-nos algumas referências em áreas distintas como o Jornalismo, o Teatro ou a Literatura. E sinto que os que cá ficamos não estamos ainda ao nível dos que, cedo demais, nos vão deixando. Saramago, António Feio ou Mário Bettencourt Resendes são insubstituíveis. Andamos todos demasiado preocupados com problemazitos que não o são enquanto que o essencial vai-se tornando acessório.

Existem novos valores que aqui e ali vão despontando mas parece-me que aqueles se foram cedo demais. Mas se calhar sou só eu que penso assim...

P.

segunda-feira, agosto 02, 2010

A pré-época...

Enquanto uns perdem e desculpam-se com a relva e os árbitros...

Enquanto outros vendem as jóias (?), trocando-as por "pechisbeques" sem saberem se ficaram ou não os dedos...

Há os que, tendo sido campeões, saltam de goleada em goleada como se nem tivesse terminado a época passada!!!

Sem querer embandeirar em arco, este ano vai ser mais do mesmo...

P.

Trabalhar em Agosto...


...é muito bom!

Menos trânsito, dias longos, parece que o trabalho rende mais por menos tempo, vive-se uma atmosfera diferente.

Infelizmente e porque a escola dos meus filhos fecha neste mês há vários anos que sou "obrigado" a gozar férias neste mês.

Ainda assim, os dias a trabalhar quando toda a gente parece estar fora dão-me mais gozo ainda.

E falta (ainda) menos tempo para ir de férias!

P

domingo, agosto 01, 2010

Ainda uma homenagem (pequena) a António Feio

Ninguém como ele viveu de acordo com este hino dos grandes Monthy Python:



P.

quarta-feira, julho 28, 2010

sábado, julho 17, 2010

Portugal dos pequenitos - Quadro nº 1

Dia de trabalho, 9:12 da manhã

Entro numa pastelaria igual a tantas outras, banal para tomar um café, antes de entrar para uma reunião com um cliente.

Com um sonoro e bem disposto "Bom dia", peço "um café por favor".

(Sublinho o "Bom dia" e o "Por favor" da minha parte para que não restem dúvidas que iniciei o contacto da forma mais correcta possível).

A esta abordagem não houve qualquer reacção que não fosse o depositar de um pires e uma chávena (vá lá que esta vinha cheia e com café...). Foi o suficiente para me sentir incomodado mas nada mais do que isso, tinha outras preocupações em mente.

Para além disso cobram-me 65 cêntimos por um café sofrível e um ar de frete de uma empregada que não tem, nunca teve e dificilmente terá apetência ou motivação para servir a um balcão... Começo a sentir um incómodo crescente mas ok, no stress, no worries, vamos lá para a reunião que é bem mais importante que tudo isto.

Hora de pagar, nota de 10 € entregue (tinha ido ao Multibanco antes e o raio da máquina não me deu notas ou moedas de menor valor...).

Proverbial pergunta nas únicas palavras que me dirigiu: "Não tem mais pequeno" em tom de guarda nazi dirigindo-se a um prisioneiro de um campo de concentração (com o devido respeito).

Bom, se eu não admito que quem me conheça me fale assim, quanto mais quem eu nunca vi na vida e faço questão por não voltar a ver! Já com o indicador "paciência" no vermelho, respondo: "Não, o multibanco ainda não da moedas..."
Sentindo-se picada, resmunga algo que felizmente não percebi. Arranca a nota do balcão e dispara direita a máquina registadora, preparando a vingançazinha e com ar de "já vais ver"...

Adivinho o que aí vem já com um sorriso nos lábios...

Deposita arrogantemente o troco todo em moedas, sendo a de maior valor 50 cêntimos... Olho para ela e devolve-me o gesto com o ar triunfante de "quiseste-ser-mais-esperto-que-eu, toma-lá-uma-hérnia-discal-à- conta-do-peso-das-moedas-na-carteira"! Tão previsível...

Time to go, o meu cliente é mais importante que a mesquinhez daquela personagenzinha. Mas como ali o cliente sou eu, não estou para ser gozado e o combate já vai longo, resolvi ir sem mais delongas para KO: "Já agora, traga-me o Livro de Reclamações, por favor..." Por magia, o arzinho de matrona em marcha triunfal pelas ruas de Roma no tempo de César ruiu estrondosamente, CATRAPUM...

Este país precisa que usemos bombas nucleares para matar moscas, de outra forma os brandos costumes vão nos matando todos os dias...
P.

sexta-feira, julho 16, 2010

Correr!


Para mim correr sempre foi uma obrigação, algo que fazia porque tinha que ser (quando joguei ténis e futebol mais a sério) ou porque, mais tarde, era uma maneira de manter a forma física.

Até que há 4 ou 5 anos esbarrei com este livro. A simples ideia de que uma pessoa, por si, pode ultrapassar todas as barreiras físicas com perseverança e vontade atraiu-me na altura. E a corrida passou a ser o meu vício. Primeiro com calma fui fazendo uns Kms de cada vez. Depois o limite foi subindo... até ter corrido uma Meia-Maratona.

Essa é a verdadeira razão porque tanta gente fica "grudado" na corrida. Quando corres, ao contrário de tantos outros desportos, o adversário és tu. Quando te levantas às 6:00 da manhã no pino do Inverno derrotas o teu "evil twin" que te puxa para o conforto. Quando te atiras para mais 5 minutos para além do limite ou mais 1 km que da última vez sais vencedor...contra ti próprio. Aliás é o superar da tua zona de conforto que se torna num desafio constante. Uma conhecida marca de desporto tinha um slogan que dizia mais ou menos isto: "Dói-te mais quando corres ou quando não vais correr..."

Nos últimos tempos sinto falta, mas mesmo muita falta, deste vício. Uma arreliante lesão num joelho e um entorse depois disso têm-me limitado... Mas vou voltar quando for possível porque nos dias em que o stress e a pressão correm contra nós, nada como uma corrida para nos fazer ver as coisas de forma diferente... Libertas-te de tudo à tua volta para conseguires ir um pouco mais além!

P.

PS: aconselho a todos os que se sentem em baixo de forma que corram ou, não podendo, andem. Percam 15m ou 30m do vosso dia para se mexerem e vão ver que o peso dos dias se torna mais leve e a perspectiva das coisas muda... Para além de que estão a fazer a vocês mesmos um favor, grande!!!

quinta-feira, julho 15, 2010

Filmes de uma Vida (Take 5)

"The Shawshank Redemption" - 1994


Este filme vale pela história de amizade improvável entre o prisioneiro negro "Red" (Morgan Freeman) e o injustamente encarcerado Andy Dufresne (Tim Robbins), ambos a cumprirem longas penas na prisão de Shawshank.

Apesar de simples, o argumento está genial e a interpretação daqueles dois actores acrescenta-lhe uns quantos pontos. O final "a la Holywood" borra a pintura mas não podia ser de outra forma... Ou podia?

A lição de que "por muito esperto que penses que és, há sempre alguém mais esperto que tu" vale muito para além do filme... E nunca se sabe o que esconde um poster da Rita Hayworth ;-)



P.

quarta-feira, julho 14, 2010

The Silence of Sounds




Há silêncios que são tão fortes que causam mais impacto que mil palavras.

O Rádio Clube Português, como emissora de referência na área da informação, deixou de existir no passado Domingo às 23:59. Ao longo dos últimos anos aprendi a gostar desta companhia nas longas horas de trânsito a cominho do trabalho ou de clientes.

A ditadura dos números que nos rege a todos num deve e haver frio em que apenas o resultado final a verde conta assim o ditou. O projecto "não era viável" em termos financeiros... Assim se mata sem qualquer remorso uma rádio, assim se reduz a quase nada quem está do outro lado a receber a emissão... E assim se interrompem violentamente as vidas de quem, lá dentro, fazia a radio com dedicação e amor.

Vou sentir falta do trânsito, das notícias, das crónicas, dos programas e relatos do futebol pelos grandes Fernando Correia e Carlos Dolbeth, a Teresa Gonçalves, as análises do Camilo Lourenço, os sons da história, a Janela Aberta do Aurélio Gomes e todos os restantes, os que se ouviam e os que ficavam lá atrás... Espero que todos eles encontrem rapidamente uma nova saída profissional

A frequência do RCP continua a emitir música dos anos 60 e 70. Mas há sons que de tão vazios que são que nos moem pelo que significam...

P.

quinta-feira, julho 08, 2010

Uma Surpresa!

Andamos perdidos pela Net, sempre vendo os mesmos sites e blogs, num imenso caminho percorrido todos os dias...

E de repente a surpresa de algo completamente novo e inesperado...

Espreitem e aproveitem! Aqui.

P.

quarta-feira, julho 07, 2010

Filmes de uma Vida (Take 4)

Sem ser fã de futebol americano (que de football não tem nada...), este filme quando apareceu não lhe dei grande importância. Só mais tarde, quando Jamie Foxx já era uma estrela, dei por mim a deliciar-me com o filme na televisão.

Oliver Stone consegue sair fora dos lugar comuns dos filmes de desporto e dar-nos uma ideia muito próxima do que é hoje o desporto profissional e completamente rendido ao dinheiro e ao capitalismo/espectáculo.

No meio de tudo um treinador ultrapassado (Grande Al Pacino), uma estrela em ascensão (Jamie Foxx), uma "team boss" desajustada (Cameron Diaz) mostram-nos os bastidores "podres" de uma equipa profissional. Banda Sonora tremenda!

Fica um dos discursos mais motivadores já vistos no cinema:



Inch by inch...

P.

terça-feira, julho 06, 2010

O medo...


Quem tem filhos sabe perfeitamente do que vou falar...

O medo, aquele sentimento que temos quando eles não estão connosco e que nos acompanha desde o primeiro momento. O receio de saber onde estão, com quem estão e como estão quando não podemos fazer nada por eles. Ou, mesmo não estando longe de nós, estão fora do nosso controlo.
Começa no dia em que o teste comprado, a medo, na farmácia dá positivo. Como se aqueles dois tracinhos rosa marcassem a fronteira entre o antes e o depois... Desde logo a preocupação com a mãe e com o desenvolvimento do feto. As perguntas, as dúvidas, o "serei capaz?" e tudo o que pensamos que pode correr mal ou menos bem. Depois a primeira ecografia e o contacto visual com aquele ser que, sendo nosso, é já muito mais do que isso. Estabelece-se o laço e o medo aperta na barriga porque agora já o vimos, já o visualizamos na nossa cabeça.

Passados os nove meses em que qualquer exame é um sobressalto, qualquer indisposição da mamã um "ai, ai, ai", vem o parto. E aqui o rol de emoções sentidas antes, durante e depois davam para um livro só por si. Mas o receio de que algo possa correr mal, com a mãe ou com o bebé, está sempre lá.

Quando a vida começa cá fora o medo desenvolve-se e assume, de forma silenciosa, outro patamar... Os primeiros dias, a primeira fralda,, o sono, das variações de peso, de todo e qualquer múrmurio do petiz. Se então for o prrimeiro filho, estes tempos são um perfeito filme de terror porque a tudo se junta a ainda curta "autoconfiança" dos pais.

Não me interpretem mal, este medo é a melhor ferramenta dos pais nos primeiros tempos porque nos mantém atentos e alerta para tudo.

O bebé cresce mas o medo está lá, alojado em nós como se de um órgão do nosso corpo se tratasse. Passa a ser algo nosso que nos acompanha sempre e a quem já tratamos por tu ao fim de uns tempos. Aprendemos a lidar com ele e, muito importante, a aproveitá-lo em nosso benefício! Uns chamam-lhe instinto, outros 6º sentido mas não deixa de ser o Medo que de inimigo passa a ser nosso aliado. Os melhores pais são aqueles que não se deixam dominar por este sentimento e, ao mesmo tempo, passam a respeitar o medo como algo que os pode ajudar. Aqueles que o deixam assumir um peso anormal, tornam-se superprotectores e fecham os filhos na rodoma.

Sei hoje que este meu "amigo" vai estar comigo para sempre porque é com ele que aprendo, todos os dias, o quanto os meus filhos são importantes e o quanto os sinto como meus e como a minha continuação. Preocupo-me por isso embora saiba que vão cair muitas vezes, vão bater com a cabeça na parede, chorar e sentir dor. Não o posso evitar mas vou estar lá sempre para lhes explicar que pior do que isso é não nos levantarmos quando caímos, é não conseguirmos erguer-nos quando tudo nos puxa para baixo...

Dói mas ao fim de um tempo habituamo-nos...sem medo!

P.

quarta-feira, junho 30, 2010

Hoje levo o cachecol de Portugal para a escola!

Hoje, em dia de praia para o Francisco, partilhei com ele o pequeno almoço.

Entre o cheiro do iogurte, cereais e protector solar, virou-se para mim com os olhos tristes e disse:

"Pai, Portugal perdeu com a Espanha, não foi?"

"Sim filho, eles marcaram um golo e nós não"

Podia ter-lhe dito que temos um adjunto mas não um treinador. Podia dizer-lhe que o Cristiano, capitão mas não líder, estrela sem humildade, menino mimado, fugiu do jogo e da responsabilidade. Podia dizer-lhe que só tivémos um Eduardo e um Fábio Coentrão quando eram precisos 11. Podia encontrar mil explicações mas o facto é que eles foram melhores que nós, ponto.

Concluiu:
"Que chatice..."

A conversa sobre futebol ficou por ali mas percebi que, nos seus precoces 4 anitos, ficou a matutar naquilo.

Antes de sair de casa com a mãe, foi a correr à sala e voltou num ápice. Chegou ao pé de mim e, orgulhoso, mostrou o que trazia ao pescoço dizendo:

"Pai, hoje levo o cachecol de Portugal para a escola!!!"

E lá foi feliz da vida...

Não me canso de ser surpreendido pelas lições que este puto me dá, umas sobre coisas simples e outras, como hoje, sobre a vida. É quando a nossa equipa perde que se mostram os verdadeiros adeptos, é quando as derrotas nos batem à porta que mostramos se aprendemos com elas e crescemos ou se, nos deixando abater, caímos na depressão...

Que todos usemos um cachecol de Portugal hoje...

P.

sábado, junho 26, 2010

O meu Alentejo está a morrer...

O meu Alentejo está a morrer...


O meu Alentejo, nos extremos da margem esquerda do Guadiana, definha de cada vez que lá vou. O meu Alentejo fica longe de Lisboa. e nãp existe autoestrada para lá chegar nem forma de lá ir com mais frequência. Se os dias de agora me deixam pouco tempo para a viagem, o que lá encontro cada vez menos me faz querer voltar.

As recordações que tenho destes sítios são as melhores possíveis…

Férias grandes sem fim à vista passadas entre passeios pelo campo, brincadeiras sem fim, aventuras fenomenais, a companhia e carinho dos meus avós, amizades feitas de cumplicidade apesar das diferenças entre o menino da cidade e os meninos do campo.

Jogos de bola no meio do pó e de suor que acabavam depois da hora de jantar, brincadeiras e conversas que se alongavam pelas quentes noites de Verão, caçadas de fisga na mão, banhos na ribeira e nas barragens, tardes de calor sufocante passadas ao fresco em torno de jogos de sorte e azar.

Havia a oficina do meu avô onde cavalos, burros e “machos” eram “ferrados”, um manancial de ferramentas e experiências para quem vinha da cidade. Ou as tardes na cozinha da minha avó vendo desfilar tabuleiros atrás de tabuleiros com bolos e iguarias sem fim que acabavam invariavelmente por fazer as minhas delícias.

Os pequenos almoços tomados cedo, de café com leite, pão e bolos frescos da padaria, tomados num ápice para não perder tempo.

Os passeios no campo aberto que revelavam uma nova vida para além do betão e e do dia-a-dia fechado na cidade.

E o sempre inevitável regresso a Lisboa, por entre lágrimas e recordações daquele último vislumbrar do vidro de trás do carro, com os meus avós dizendo-me adeus até ao virar da esquina

Enfim, era um Alentejo com vida, com movimento, com actividade e com gente.

Agora os mais velhos envelheceram ou já nos deixaram e os mais novos foram-se para onde a vida lhes sorri porque ali não há emprego nem expectativas. Uns migraram para a cidade maior, outros para fora do país atrás do sonho e dos que antes partiram na mesma senda.

Este Alentejo já não voltará a ser como era, tal como não regressamos aos nossos tempos de menino. Pouco a pouco a vida nestes sítios vai-se indo embora, quem vier por último que feche a porta.

O meu Alentejo continua quente, acolhedor e é ainda o sítio onde me sinto em casa. Aquilo que se diz de que não devemos voltar a sítios onde fomos felizes é uma treta… Mas custa ainda mais partir e sentir que, quando regressarmos outra vez, vamos encontrar menos do que deixamos…

As partidas continuam difíceis como no passado, as lágrimas ainda me rolam pelo rosto nos primeiros quilómetros depois da partida. Ainda olho pelo espelho antes da primeira esquina com esperança que, naqueles segundos, o tempo volte atrás. Ainda os vejo na minha cabeça dizendo-me adeus mas eles já não estão ali...

P.

sexta-feira, junho 25, 2010

The man in the mirror...

Não sou (era) fã de Michael Jackson. Faz hoje um ano que morreu, de uma forma estranha mas tão igual a tantas outras estrelas que, num ápice desapareceram deste mundo.

Hoje ouvi esta música (a versão de James Morrison, fantástica!) com atenção à letra e não pude deixar de pensar que Jackson foi, desde muito cedo, incapaz de se olhar no espelho e confrontar-se consigo próprio todos os dias. O declínio começou quando quis, e o deixaram, ser o que não era.

Atentem à letra e pensem que qualquer mudança que queiramos fazer tem que começar pelo que vemos ao espelho...

P.

I'm gonna make a change, for once in my life

It's gonna feel real good, gonna make a diference
Gonna make it right...

As I turn up the collar on my favorite winter coat
This wind is blowing my mind
I see the kids in the streets, with not enought to eat
Who am I to be blind,
Pretending not to see their needs

A summer disregard, a broken bottle top
And a one man soul
They follow each other on the wind ya' know
'Cause they got nowhere to go
That's why I want you to know

CHORUS:

I'm starting with the man in the mirror
I'm asking him to change his ways
And no message could have been any clearer
If you wanna make the world a better place
(If you wanna make the world a better place)
Take a look at yourself, and then make a change
(Take a look at yourself, and then make a change)

I've been a victim of a selfish kind of love
It's time that I realize
That there are some with no home,
not a nickel to loan
Could it be really me, pretending that they're not alone?

A willow deeply scarred,
somebody's broken heart
And a washed-out dream (washed-out dream)
They follow the pattern of the wind ya' see
'Cause they got no place to be
That's why I'm starting with me
(Starting with me!)

CHORUS

I'm starting with the man in the mirror
I'm asking him to change his ways
(Change his ways - ooh!)
And no message could have been any clearer
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make that..
(Take a look at yourself and then make that..)

CHANGE!

I'm starting with the man in the mirror
(Man in the mirror - Oh yeah!)
I'm asking him to change his ways
(Better change!)
No message could have been any clearer
(If you wanna make the world a better place)

(Take a look at yourself and then make the change)
(You gotta get it right, while you got the time)
('Cause when you close your heart)
You can't close your... your mind!
(Then you close your... mind!)
That man, that man, that man, that man
With the man in the mirror
(Man in the mirror, oh yeah!)
That man, that man, that man,
I'm asking him to change his ways
(Better change!)
You know... that man
No message could have been any clearer
If you wanna make the world a better place
(If you wanna make the world a better place)
Take a look at yourself and then make the change
(Take a look at yourself and then make the change)

I'm gonna make a change
It's gonna feel real good!
Come on!
(Change...)
Just lift yourself
You know
You've got to stop it,
Yourself!
(Yeah! - Make that change!)
I've got to make that change, today!
(Man in the mirror)
You got to
You got to not let yourself... brother...
(Yeah! - Make that change!)
You know - I've got to get that man, that man...
(Man in the mirror)
You've got to
You've got to move! Come on! Come on!
You got to...
Stand up! Stand up! Stand up!
(Yeah! - Make that change)
Stand up and lift yourself, now!
(Man in the mirror)
(Yeah! - Make that change!)
Gonna make that change...
come on!
You know it!
You know it!
You know it!
You know it...
(Change...)
Make that change.

quarta-feira, junho 23, 2010

Filmes de uma Vida (Take 3)

Quando Monty Python, os mestres da comédia, abordam o futebol, a obra prima nasce... O mais intelectual de todos os "sketches" sobre futebol que coloca a Alemanha contra a Grécia na final...



P.

terça-feira, junho 22, 2010

Quando o amor não é suficiente...


Não sou nenhum Guru do amor nem me acho profundo conhecedor das relações entre seres humanos (e já não de sexo diferente...). Mas tenho a minha opinião baseada em por aqui andar há alguns anitos e de ter presenciado o começo e o fim (bem como o "inbetween") de algumas relações.

Vai daí, atiro-me para frente com a minha opinião sobre o tema.

Tenho a certeza absoluta que o chavão "Amor e uma cabana" é um mito dos tempos modernos. Por muito que queiramos o Amor por si só não sustenta uma relação. O Amor é o combustível da Paixão mas para fazer uma relação durar no tempo é preciso muito mais do que isso.

Em primeiro lugar, se não existirem Interesses Comuns uma relação não vai longe. Não tem que haver total acordo em termos de pontos em comum mas há alguns essenciais. Penso que os valores devem estar neste patamar bem como a visão que têm da relação, no fundo, onde leva o relacionamento entre as partes. Daí a importância de um projecto de futuro comum.

Muitas vezes nos esquecemos que o Respeito assume um papel tremendo. Começa pelo respeito pela outra pessoa em todas as vertentes mas também a capacidade de cada um manter o seu espaço, a sua individualidade e o seu percurso dentro da relação a dois.

Logo depois a Partilha. E aqui, ao contrário dos interesses comuns, esta deve ser extensível a tudo. Para o bom, para o mau e, acima de tudo, para tudo o que acontece no dia-a-dia. Alguém me disse uma vez que viver todos os dias custa muito... É verdade e se não partilharmos o fardo com quem está connosco (e vice-versa) então não vale a pena.

Depois a Compreensão... Perceber que cada um é como é, pode mudar em algumas coisas mas essencialmente vai continuar a ser diferente de nós em muitas coisas. Relações falham porque se tenta moldar o outro à nossa imagem e "obrigá-lo" a fazer tudo como nós faríamos. Esqueçam! Aprendam a gostar do outro como ele é, aproveitando o bom e relativizando o menos bom... Ao longo dos anos vão haver noites mal dormidas, dias de trabalho de cão, pontos de quase ruptura, de cansaço extremo. Se chagamos a casa e não compensamos, nessa pequena porção do dia em que estamos com quem realmente nos interesse, então tudo tende para o abismo... Acreditem!

Finalmente, Criatividade para saber, depois de tudo o que corre mal, surpreender. Às vezes com as coisas mais simples do mundo. Não precisamos gastar rios de dinheiro para criar aquele efeito de "afinal, depois deste tempo todo, ainda me consegues tirar do sério e surpreender para além do habitual".

Claro que tudo isto sem Amor também não leva a lado nenhum, não sejamos hipócritas!

P.

quinta-feira, junho 17, 2010

O elogio da Política

Neste artigo, Helena Garrido, salvo erro Subdirectora do Jornal de Negócios e do Negocios.pt, faz um elogio da Política e dos políticos que temos.

Num tempo de crise generalizada, de dificuldades que afectam principalmente os que menos têm e os que mais débeis estão, numa Europa abatida pela dívida dos seus Estados, num mundo em ebulição onde tudo parece à beira do abismo, precisamos, mais do que nunca, de Políticos com "p" grande.

Leiam, critiquem, façam comentários mas envolvam-se nos processos de decisão, atirem-se para a frente e participem. Senão correm o risco de verem o vosso futuro ser decidido por outros...

P.

terça-feira, junho 15, 2010

A minha Tribo do Futebol...


Este comentário vai ser publicado às 15h, hora do início da participação de Portugal no Campeonato do Mundo.

Esta selecção diz-me pouco. Fizemos uma qualificação sofrível e medíocre, temos bons jogadores mas não temos equipa. Não foram escolhidos os melhores jogadores mas os que representam interesses escondidos numa Federação Portuguesa de Futebol que vive enredada numa teia obscura.

Mas esta é a minha tribo do futebol...

Tudo isso fica para trás quando o árbitro apitar para o início do jogo. Quando o hino tocar todos vamos sentir um arrepio na espinha. O país vai parar por causa do Portugal-Costa do Marfim. Dizem os mais intelectuais que somos, por isso, um país atrasado ainda agarrado a Fátima, ao Futebol e ao Fado... Mas sentir uma nação, um país também é isto. Desmond Morris no seu livro "A Tribo do Futebol" faz um paralelismo muito directo entre a paixão pelo futebol e a identificação do grupo, os rituais antropológicos das antigas tribos e a capacidade de a paixão por esse jogo criar fenómenos grupais únicos.

O nosso problema não é a importância que damos ao futebol. Portugal sofre de depressão colectiva. E como todos os sujeitos depressivos, sofremos alterações radicais de estados de alma. Passamos da euforia à melancolia em pouquíssimo tempo. E para isso não há anti-depressivos que bastem! Basta que hoje o jogo corra mal para ficarmos na mó de baixo ou, caso ganhemos, nos considerarmos os maiores do mundo.

Vamos ganhar? Vamos perder? Não sei, apenas sinto a esperança que se sente antes de cada jogo, antes de cada campeonato... porque a bola é redonda e são sempre 11 contra 11, tudo pode acontecer! E se formos campeões do mundo, que seja porque bem precisamos sentir que somos mais, muito mais do que pensamos ser. E não só no Futebol...

P.

Filmes de uma Vida (Take 2)

Escape to Victory!!!

Porque hoje é dia de futebol fica um dos filmes que melhor me lembro da minha infância. Porquê? Juntar futebol com a Segunda Guerra Mundial, dois dos meus maiores interesses, devia ser suficiente. Depois tem um leque de actores excelente: Michael Caine, Max Von Sidow, Sylvester Stallone (ok, ok mas tem a desculpa de ainda estar na sua melhor fase...). Para além disso inclui no elenco jogadores como Pelé, Osvaldo Ardiles ou Bobby Moore a fazerem o que melhor sabem: jogar.

Visto de agora, o argumento é fraco e a história previsível... Mas ver naquela altura um conjunto de esfarrapados prisioneiros aliados a fazer frente à selecção do Reich alemão dava-me um gozo danado

E como hoje é dia para "Fugirmos para a Victória", fica um pequeno trailer:



P.

segunda-feira, junho 14, 2010

Zorro...

Um regalo para os ouvidos...

Zorro (João Monge/João Gil) - By António Zambujo:


Letra:

Eu quero marcar um Z dentro do teu decote
Ser o teu Zorro de espada e capote
P'ra te salvar à beirinha do fim
Depois, num volte face vestir os calções
Acreditar de novo nos papões
E adormecer contigo ao pé de mim

Eu quero ser para ti o camisola dez
Ter o Benfica todo nos meus pés
Marcar um ponto na tua atenção
Se assim faltar a festa na tua bancada
Eu faço a minha ultima jogada
E marco um golo com a minha mão

Eu quero passar contigo de braço dado
E a rua toda de olho arregalado
A perguntar como é que conseguiu
Eu puxo da humildade da minha pessoa
Digo da forma que menos magoa
«Foi fácil. Ela é que pediu!»

 
P.

Madiba – Prisioneiro 46664



Madiba falhou a presença na sessão solene de abertura do Mundial de Futebol na África do Sul.


Por estes dias Madiba, agora com 91 anos, praticamente não sai de casa e sente no corpo o peso de 27 anos preso numa cela e encarcerado num regime que, dominando o seu país, não o considerava como seu cidadão de plenos direitos.

Madiba é o nome carinhoso pelo qual Nelson Mandela é tratado por todos os sul-africanos e que tem origem na forma como os mais velhos são tratados na sua família, uma espécie de “Grande Avô de todos os sul-africanos”.

Pela primeira vez o “World Cup”, evento desportivo mais popular depois dos Jogos Olímpicos, vai decorrer em África. Pelo marco que é e pelo papel que Mandela teve na atribuição desta organização à África do Sul, nada o deixaria mais satisfeito do que poder estar presente naquele que seria, talvez, o seu último acto público. Um acto do destino fez com que Madiba não pudesse estar presente…

Espero sinceramente que, ao contrário do que muitos gostariam, tudo corra pelo melhor. Que a insegurança não seja o centro das notícias, que a organização seja capaz de levar a bom porto um evento desta magnitude, que o futebol jogado seja bonito e espectacular. Que conte apenas o que se passa dentro do campo. E que o povo da África do Sul se sinta orgulhoso e encontre neste Mundial um ponto de partida para os tremendos desafios do futuro.

Espero tudo isso porque Madiba gostaria que assim fosse. E isso basta-me!

P.

quinta-feira, junho 10, 2010

Até já...

Por motivos nada alheios à nossa vontade e relacionados com o descanso do pessoal, voltamos dentro de momentos à emissão de conteúdos neste espaço que é meu e vosso. Esperamos contar com a vossa compreensão... Regressem que nós também!!!

P.

quarta-feira, junho 09, 2010

Demolidor e Brutal

Para quem tem coração fraco não aconselho mas para todos os que andam na estrada... tenham cuidado, por favor e pensem antes de entrar no carro o que pode acontecer se não estiverem em condições:



P.

terça-feira, junho 08, 2010

Filmes de uma Vida (Take 1)

"We Were Soldiers", com Mel Gibson

Apesar de ser uma história de guerra como tantas outras, chamou-me a atenção a lições de liderança que este filme dá. Uma enciclopédia para todos aqueles que aspiram a liderar alguém no futuro.

"When we go into battle, I will be the first to set foot on the field and I will the last to step off. And I will leave no one behind. Dead or Alive!" Lt. Coronel Hal Moore

P.

segunda-feira, junho 07, 2010

Oświęcim - Auchwitz


Oświęcim não é um nome comum.

É um nome de uma localidade no Sul da Polónia, desconhecida, mas quase toda a gente sabe o nome dado pelos alemães quando conquistaram a Polónia em 1939, depois do início da 2ª Guerra Mundial - Auchwitz.

Neste complexo de campos de extermínio construído pelos nazis em 1940 em torno de um antigo quartel do exército polaco, foram assassinados mais de 6 milhões de pessoas em apenas 5 anos! Imaginem mais de 60% de todos os portugueses eliminados para sempre... A grande maioria eram judeus (mas também ciganos,  homossexuais, entre muitos outros) considerados pelos nazis uma raça inferior e a raiz de todos os males que aconteceram à Alemanha após a Primeira Guerra Mundial.

Com uma perícia exímia e uma sistematização tremenda, neste complexo de campos os alemães levaram a cabo a eliminação desses milhões apenas porque os consideravam inferiores. Não eram pessoas que tivessem conspirado contra o Reich alemão, não eram opositores políticos, não eram sequer um perigo para o presente ou o futuro da Alemanha nazi. Professavam apenas uma religião diferente ou pertenciam a etnias, raças ou tinham escolhas de vida diferentes. Pessoas perfeitamente normais como eu ou cada um de nós, com filhos, pais, irmãos, tios, amigos, uma profissão, uma casa e um percurso, violentamente atiradas para um gueto e depois eliminadas quase sem rastro.

Com alguma frequência Oświęcim regressa-me ao pensamento como um toque de sino. Como que para me lembrar quão frágil é a nossa existência e que a humanidade de cada um de nós tem sempre um limite que vai para além do que podemos imaginar.

Hoje dia 7 de Junho não se comemora nenhuma efeméride relativa a Aushwitz. Apenas sei que a 7 de Junho de um qualquer ano entre 1940 e 1944, neste local e apenas porque sim, alguém foi brutalmente assassinado em nome de uma ideologia. Alguém foi explorado e tratado de maneira desumana para alimentar a máquina de guerra da tirania alemã. A alguém foi retirada a humanidade e o direito à existência minimamente decente por ser considerado menos digno disso que um mero animal.

...para que ninguém ouse esquecer que isto realmente aconteceu...
...e aconteceu porque alguns homens quiseram que acontecesse...
...e nenhum homem pode garantir que estamos livres de que volte um dia a acontecer...
...lembremo-nos todos os dias de Oświęcim...

P.

sábado, junho 05, 2010

Com naturalidade...

Bastião Dourado era um peixinho cor de laranja, com 4 cm de comprimento e cuja maior ambição na vida era colocar na boca mais que uma pedrinha de aquário. Foi oferecido ao meu filho pelos seus anos há algumas semanas atrás. Vivia feliz (?) num pequeno aquário na cozinha lá de casa...

Claro que quem cuidava do peixe era a mãe mas era engraçado ver como o Francisco reagia a mais um habitante lá de casa.

Há uns dias atrás, inesperadamente, o peixe bateu as botas e entregou a alma ao Criador (o dos peixes, não o nosso, claro). Os pais (do Francisco, não os do peixe...) ficaram alarmados porque:
  • Não sabiam como dar a notícia ao Francisco
  • Não faziam ideia como iria ele reagir
  • E não sabiam o que fazer depois
A medo chamaram o petiz à cozinha. Com receio mostraram-lhe o aquário com o Bastião Dourado boiando de barriga para cima... Olharam para o Francisco e pensaram "Pronto mais um trauma para a criança carpir, daqui a largos anos, nas futuras consultas de Psicoterapia..."

Com o ar mais natural do mundo, Francisco saiu-se com esta:
       - "Olha...o Bastião Dourado foi-se!!! Não faz mal, depois compramos outro..."

E seguiu à sua vida porque, sinceramente, há coisas mais importantes que ter pena de um peixe morto...

Lição: as crianças conseguem quase sempre surpreender-nos e, muitas vezes, nós fazemos grandes problemas onde eles não existem...

P.

sexta-feira, junho 04, 2010

Os novos Emigrantes...

S. fechou a porta atrás de si. Pegou na pesada mala e, sem olhar por cima do ombro, deixou para trás uma vida inteira. Agarrou ainda com mais força o bilhete de ida e cerrou os olhos para segurar as lágrimas dentro de si. Ia aproveitar uma oportunidade profissional como nunca tinha tido em Portugal, ia refazer a sua vida noutro país e recomeçar noutra cidade, noutra cultura. Mas por muito que dourasse a pílula, a dor no peito não passava. O tempo curaria isso mas, enquanto de deslocava para o aeroporto, o tempo era ainda curto demais para se esquecer...

Num país que bate cada vez mais no fundo como se este lhe fugisse dos pés, onde as oportunidades são para quem pode e não para quem merece, onde a corrupção é norma e quem a repugna torna-se fora-da-lei, quem tem valor faz-se ao caminho...

Num país que cada vez mais desiste dos seus a troco de meia dúzia de tostões e um TGV, quem merece e tem capacidade vai atrás do sonho mas lá fora e não cá dentro...

Num país de Fátima ou Futebol, não resta alternativa a quem quer ter sucesso senão procurar o Fado noutras paragens...

Como o Gama ou o Cabral dos Descobrimentos, o Mendes Pinto da Peregrinação, os Santos que foram para o Brasil no Séc. XIX ou os Silvas que fugiram da Guerra de África para França e para a Suiça, hoje quem quer "safar-se" só fugindo deste pântano.

Portugal desistiu dos seus em troca de quase nada, os jovens não têm perspectivas e os que já não o são, não têm emprego. Estrangulados entre o controlo do défice público e a falta de crescimento, o desemprego e a precariedade, a corrupção e a mediocridade os que ainda confiam em si e no seu potencial, desistem de Portugal e vão ter sucesso noutras paragens. E, surpreendentemente ou talvez não, conseguem!

Ficam os que não podem sair ou aqueles que, agarrados à utupia, acreditam ainda que, no limite, ainda algo resta de esperança ao Portugal dos pequenitos...

P.

segunda-feira, maio 31, 2010

A hora mais solitária...

...é quando o teu perfume ainda se sente no ar depois de teres ido. A confusão do dia-a-dia ainda não começou mas tu já aqui não estás. É nesse momento que me sinto mais só, no curto silêncio do dia que ainda não começou.

Sinto-te em saudades, beijos, olhares e toques que passaram e que me vêm à mente enquanto o teu odor ainda paira no ar.

E percorre-me um medo frio de quando não estás, do dia em que deixares de estar. Apenas peço para já não estar quando esse dia chegar...

P.

terça-feira, maio 25, 2010

O mundo a seus pés...




Noutro blog e noutro tempo, fiz uma previsão da ida, em 2006, de José Mourinho para o Real Madrid:

José Mourinho em Madrid

Passaram 4 anos, Mourinho ainda ficou mais 2 épocas em Londres e esteve outras 2 nio Inter de Milão pelo que falhei no timming embora tenha chegado quase pelas razões que na altura apontei.

Deste "tuga" ou se admira ou não se gosta nada. Ou sim ou sopas! Quando começou a carreira, no meu Benfica, não me entusiasmou por aí além... Achava-o arrogante demais e mesmo com bons resultados, tinha sido escolhido por Vale e Azevedo, o que na altura o qualificava como "mais uma potencial fraude"...

Afinal deve ter sido das poucas coisas acertadas que aquele ex-presidente e ex-presidiário, agora em fuga, fez na altura. E ainda hoje Manuel Vilarinho se deve arrepender de o ter forçado a sair...

Veio o Leiria, a explosão no Porto, o Chelsea e o Inter. Agora Madrid, no Real. O Treinador vai tomar conta dos "Galácticos"...

Com o passar do tempo aprendi a gostar dele, do estilo que põe em tudo o que faz, da personalidade vincada que enfrenta tudo e todos para proteger os seus e na capacidade quase inesgotável que tem em perseguir os seus objectivos.

Dá-me particular gosto vê-lo nos seus "mind games" com os treinadores, jogadores e adeptos adversários, sempre com um objectivo em mente... E a sua relação com os Media e com a opinião pública em geral que sempre o olhou com despeito (o tradutor) para depois terem que engolir os resultados que atinge sempre por onde passa.

Agora Espanha, ou melhor, Madrid. Entra pela porta grande e chega ao maior clube do mundo. Vai ter sucesso? Não sei, espero que sim porque nos fazem falta, em Portugal, exemplos de sucesso que nos mostrem que quando queremos podemos ir longe...

Tivéssemos 10 Mourinhos em cargos de liderança a nível nacional e a crise seria uma memória distante... Cabe-nos a nós sermos Mourinhos no nosso dia-a-dia, nos nossos locais de trabalho e na nossa vida pessoal e social.

Sim, porque todos, sem excepção, temos um "Special One" dentro de nós! Muitos é que ainda não descobriram...

P.

domingo, maio 23, 2010

"There's some good things in this world, worth fighting for..."

Uma das minhas cenas favoritas de um dos meus filmes de sempre...

http://www.youtube.com/watch?v=NlyEwcplCD4&feature=related

Quando tudo à volta parece não ter sentido nenhum e a esperança de um futuro melhor parece mais ténue que a neblina de uma manhã de verão, lembremo-nos que há sempre coisas pelas quais vale a pena lutar... Há sempre quem esteja pior que nós e em tudo o que parece mau, há sempre uma lição a retirar. Como diz o povo, não há mal que sempre dure...

P.

quarta-feira, maio 19, 2010

The Pacific



"Never run when you can walk,
Never walk when you can stand,
Never stand when you can sit,
Never sit when you can lie down,
Never lie down when you can sleep
"

Captain A. A. Haldane - The Pacific










Acabei ontem de ver esta série que passou em Portugal quase ao mesmo tempo da estreia nos Estados Unidos. Tiro o chapéu ao Canal AXN pela antecipação nada normal da passagem da série (embora a tradução tenha sido fraquinha, a legendagem tenha desaparecido num episódio e o som do último episódio tenha estado horrível...).

Retirando a carga patriótica e patrioteira (roçando por vezes o rídiculo) que os americanos colocam neste tipode séries, pareceu-me ser uma das melhores que já vi dentro do género. Com a vantagem que não vai ter sequelas nem segunda série: começou e acabou nos 10 episódios.

Excelentes actores em personagens bem construídos, com alma e conteúdos, argumento muito bem escrito, banda sonora de antologia e uma realização acima da média. Uma palavra para a caracterização e reconstrução de cenários e das várias batalhas que me pareceu 5 estrelas. Para quem não viu, trata-se de uma série que acompanha várias estórias pessoais entrançadas na história da Segunda Guerra Mundial, em particular a caminhada dos "Marines" nas batalhas que ocorreram no teatro de operações do Pacífico.

Como simples rapazes de 17, 18, 19 anos abandonaram as suas vidas normais para se alistarem nos Fuzileiros, tendo passado pelos piores cenários e pelas batalhas mais sangrentas, ultrapassando muitas vezes os limites da sanidade mental e da capacidade humana. O slogan da série "Hell was an ocean apart..." cai que nem uma luva no que aqueles homens passaram em combate perante um inimigo que preferia morrer a baixar os braços! E no fim da guerra, com a vitória garantida, regressaram às suas vidas simples para fazer da América a potência que se tornou nos anos da Guerra Fria.

Fico com imensa curiosidade para ver a edição em DVD/Blueray com os sempre indispensáveis extras que nos mostram o que se passou por detrás da cortina...

P.

segunda-feira, maio 17, 2010

How fragile we are...

Uma formiga consegue carregar um peso dezenas de vezes maior que o seu... Uma pulga salta até 1000 vezes a sua altura... Praticamente todos os mamíferos nascem capazes de se locomoverem sózinhos e com a capacidade de comunicarem entre si sem limites...

As nossas crias demoram mais de um ano para andarem e mais tempo ainda para se exprimirem. E são incapazes de sobreviver por si até terem muitos anos de idade. Não somos o animal mais rápido, nem o que nada melhor. Não voamos e somos mais frágeis e delicados que muitas espécies vegetais!

No entanto dominamos. Chegámos tão longe desde que os nossos ancestrais Sapiens-Sapiens começaram a palmar as vastidões do planeta. Temos ao nosso dispor as tecnologias mais incríveis e o progresso nunca visto desde então. Estamos tão seguros da nossa superioridade que levámos o planeta ao seu limite. Deixámos de interiorizar que somos apenas mortais num mundo hostil, que o nosso tempo é curto, muito curto. E esquecemos-nos o quão frágeis somos... Basta um pequeno vírus, uma minúscula bactéria, um acidente de 1 segundo para nos fazer desaparecer, como individuos, desta vida ou, pelo menos, tornar a nossa existência bem mais limitada...

E que fazemos nós com esta fragilidade...?

sexta-feira, maio 14, 2010

O Homem Comum

Em situações normais o Homem Comum pode passar toda a sua vida sem abandonar o seu caminho "normal". Estuda, encontra um emprego, torna-se cidadão e vota, descobre uma pessoa com quem partilhar a sua vida, casa-se, tem filhos, muda de emprego algumas vezes, acompanha o crescimento das suas crianças, sobe na vida, paga os seus impostos, eventualmente divorcia-se (ou não) e assim vai passando ao sabor dos anos... Suporta praticamente tudo o que lhe colocam em cima!

Acorda de manhã, arranja-se, toma o pequeno almoço, apanha o seu automóvel para o emprego, stressa-se com o trânsito e por chegar atrasado, não suporta o chefe, os seus colegas, o trabalho em si... Regressa a casa cansado para ter que enfrentar ainda os filhos que pedem atenção, as queixas da mulher e o fim do dia no ambiente doméstico. E em situações normais vai aguentando o barco mais ou menos à tona, nem que seja à custa de antidepressivos e terapia no pior dos casos.

Mas há alturas em que o Homem Comum não aguenta mais. Se se sentir assim individualmente atinge o limite, entra em depressão ou apenas desiste. Mas se muitos se sentem, ao mesmo tempo, como ele, a tampa da panela de pressão salta e o caos instala-se para o "status quo".

Hoje, depois de anos a fio em crise, os impostos subiram hoje de forma generalizada para fazer face ao défice público excessivo. Estão os mesmos a pagar os excessos de alguns que continuam, lá em cima, a olhar-nos com o mesmo desprezo e com a mesma avidez. Com a corda na garganta do excesso de crédito, com os juros a apertar, com o desemprego a níveis nunca vistos e com a economia estagnada, o Homem Comum está enconstado à parede e com a faca na garganta. E não está só, todos à sua volta estão no mesmo ponto de ruptura. Quando isso acontecer...

segunda-feira, maio 10, 2010

Fechar o círculo

A vida é feita de círculos que se abrem e fecham em todos os momentos.

O círculo da nossa vida inicia-se quando nascemos e termina quando morremos. Será o Circulo Principal, a nossa caminhada neste mundo.

Depois temos jornadas mais pequenas que começam e acabam algures: a escola, a universidade, os namoros, as amizades, viagens, empregos, um campeonato ou um simples jogo de ténis etc... Uns marcam-nos como ferros em brasa para todo o sempre, outros nem por isso, tal e qual as emoções que sentimos: umas à flor da pele, outras bem dentro do nosso âmago.

Todos os dias começamos um circulo quando nos levantamos da cama e todos os dias o terminamos quando adormecemos. E cada uma destas partidas e chegadas faz de nós o que somos em cada momento. Olhamos para trás e vemos a corrente que é a nossa existência formada por todos estes elos encadeados em si...

Hoje fecho umm círculo de quase um ano em que não tive qualquer vontade de escrever aqui uma única linha. Por preguiça, falta de vontade ou simples recusa em mexer ou pensar nas minhas emoções e sentimentos, hoje decido voltar. Não sei se por muito tempo ou não, os círculos que for fechando o dirão...

Mas é muito bom regressar a casa!

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