Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, outubro 12, 2010

Viver todos os dias custa....



Alguém que eu admiro muito, do qual sou fã incondicional e que escreve aqui, disse uma vez que "viver todos os dias custa"...

Na altura, há uns anos atrás, a expressão significou pouco para mim. Tinha menos preocupações, mais tempo livre e a vida corria sempre a rolar, mais ou menos depressa, mas sempre de ladeira abaixo quando todos os santos ajudam!

Hoje a cada dia que passa tenho mais a certeza de que essa expressão é a mais pura das verdades. Heróis não são aqueles que fazem um feito extraordinário uma vez na vida! Ídolos não são os que se destacam da multidão por terem um dom! Estrelas não são as que brilham intensamente por uma única vez...

Heróis são os que estoicamente vivem um dia depois de outro, semana após semana e muitas vezes com pouca ou nenhuma esperança de alguma vez se sobressairem da multidão. Enfrentam o destino, muitas vezes azedo, com um certo desdem no rosto, com um sorriso até. Vencem barreiras profissionais todos os dias muitas vezes apenas por brio pessoal, aguentam firme na vida famíliar injustiças e tristezas com um brilho nos olhos para que à sua volta não se apercebam disso, na sua vida social passam por dificuldades e indiferenças sem se deixarem ir abaixo. Alguns caiem mas a maioria aguenta firme!

Esses, todos nós que anonimamente aqui andamos "com a cabeça entre as orelhas" como diz o Sérgio, são os verdadeiros heróis nos dias que correm. E são esses Heróis com letra grande que mais uma vez vão aguentar o barco na tempestade que se aproxima. Mais dificuldades, menos dinheiro ao fim do mês, mais desemprego, menos oportunidades, tudo isso se vai multiplicar no futuro (próximo) mais-que-imperfeito.

Chegou o tempo de cerrar os dentes com força e enfrentar o que aí vem. Depois logo tratamos de encontrar que nos levou até aqui...mas agora segure-se o leme, recolha-se o velame, aprume-se o cordame que o céu escuro em frente mostra o que nos espera...

Os próximos meses e anos vão mostrar a fibra de que somos feitos e, quando virmos que o bater no fundo já está para trás das costas,  se ainda cá estivermos então... então nada nos pode deitar abaixo.

P.

sábado, julho 17, 2010

Portugal dos pequenitos - Quadro nº 1

Dia de trabalho, 9:12 da manhã

Entro numa pastelaria igual a tantas outras, banal para tomar um café, antes de entrar para uma reunião com um cliente.

Com um sonoro e bem disposto "Bom dia", peço "um café por favor".

(Sublinho o "Bom dia" e o "Por favor" da minha parte para que não restem dúvidas que iniciei o contacto da forma mais correcta possível).

A esta abordagem não houve qualquer reacção que não fosse o depositar de um pires e uma chávena (vá lá que esta vinha cheia e com café...). Foi o suficiente para me sentir incomodado mas nada mais do que isso, tinha outras preocupações em mente.

Para além disso cobram-me 65 cêntimos por um café sofrível e um ar de frete de uma empregada que não tem, nunca teve e dificilmente terá apetência ou motivação para servir a um balcão... Começo a sentir um incómodo crescente mas ok, no stress, no worries, vamos lá para a reunião que é bem mais importante que tudo isto.

Hora de pagar, nota de 10 € entregue (tinha ido ao Multibanco antes e o raio da máquina não me deu notas ou moedas de menor valor...).

Proverbial pergunta nas únicas palavras que me dirigiu: "Não tem mais pequeno" em tom de guarda nazi dirigindo-se a um prisioneiro de um campo de concentração (com o devido respeito).

Bom, se eu não admito que quem me conheça me fale assim, quanto mais quem eu nunca vi na vida e faço questão por não voltar a ver! Já com o indicador "paciência" no vermelho, respondo: "Não, o multibanco ainda não da moedas..."
Sentindo-se picada, resmunga algo que felizmente não percebi. Arranca a nota do balcão e dispara direita a máquina registadora, preparando a vingançazinha e com ar de "já vais ver"...

Adivinho o que aí vem já com um sorriso nos lábios...

Deposita arrogantemente o troco todo em moedas, sendo a de maior valor 50 cêntimos... Olho para ela e devolve-me o gesto com o ar triunfante de "quiseste-ser-mais-esperto-que-eu, toma-lá-uma-hérnia-discal-à- conta-do-peso-das-moedas-na-carteira"! Tão previsível...

Time to go, o meu cliente é mais importante que a mesquinhez daquela personagenzinha. Mas como ali o cliente sou eu, não estou para ser gozado e o combate já vai longo, resolvi ir sem mais delongas para KO: "Já agora, traga-me o Livro de Reclamações, por favor..." Por magia, o arzinho de matrona em marcha triunfal pelas ruas de Roma no tempo de César ruiu estrondosamente, CATRAPUM...

Este país precisa que usemos bombas nucleares para matar moscas, de outra forma os brandos costumes vão nos matando todos os dias...
P.