domingo, abril 27, 2008

Às vezes penso nisto...

Sempre pensei que os sítios têm alma, como as pessoas. Uma alma diferente feita de tempo, acontecimentos que neles tiveram lugar e emoções que neles se viveram. Nem sempre os mais antigos terão mais alma e os mais novos menos mas a regra será essa. Nas igrejas, castelos, prédios, palácios, praças sente-se isso.

E nos estádios também... Acredito que nestes a sua alma é feita do que neles aconteceu. As vitórias, as derrotas, as emoções que se viveram, os gritos de alegria e frustração, as tristezas e as lágrimas, o furor. Assim nos mais "velhinhos" a alma será maior, nos mais recentes a alma vai-se construindo.

No antigo Estádio da Luz a alma sentia-se, entrava-se e sabiamos que estávamos no palco dos sonhos. Pouco importava se nos sentávamos na pedra fria à chuva sem comodidade alguma. Ali tinham jogado Eusébio, Águas, Coluna, Humberto, Artur Jorge, Toni, Néne, Diamantino, Chalana, Bento, entretantos outros. Sentia-se o peso, aquele era o Inferno Vermelho.

No novo Estádio da Luz já não é assim... Ainda não tem essa alma. Falta-lhe tempo, faltam-lhe as grandes vitórias. Por isso gosto de acreditar que nos dias de jogo, para compensar isso, as nossas antigas glórias que já não estão connosco neste mundo se reunem. Sentam-se na ponta da pala por cima do relvado e ali ficam durante os 90 minutos a ver o jogo como nós. Puxam pela equipa, falam do árbitro, do onze inicial, do que fariam e invejam aqueles que ainda podem, na sua pálida juventude, jogar. Fecham os olhos e pensam no seu tempo, nos seus jogos, dizem que antigamente é que era e os olhos brilham de saudade. Mas sofrem como nós, ali sentados.

Quando termina um jogo, lá fazem os seus comentários finais, despedem-se uns dos outros ("Até à próxima!") e vão à sua vida... Como nós uns ficam mais tempo que outros, o tempo que demora a ir e voltar às memórias passadas.

Este Sábado, antes do jogo, o Sol punha-se por detrás da pala e naquela luz que irradiava tenho a certeza que mais uma vez os vi ali, à espera, na antecipação do jogo que aí vem. E a águia quando desceu para o relvado quase lhes tocou... Até à próxima!

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